Entrevista: Motivação na sala de aula na medida certa

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Conexão Professor

Além de se preparar para o trabalho em sala de aula, é chegado o momento de o professor aplicar o que havia planejado, mas, longe de ser uma tarefa fácil, o dia a dia do mestre exige muita flexibilidade.

Flexibilidade para “sentir” a turma e saber em que momento deve ser aplicada alguma ferramenta diferente no ensino, que possa motivar os alunos e fugir da rotina das aulas expositivas. Neste momento, tudo é válido: música, exibição de filmes, utilização de ferramentas tecnológicas, como internet, data show, entre outras. Mas como saber o momento exato de propor diferentes atividades e inserir esses recursos em sala de aula?

De acordo com a professora de língua portuguesa do Colégio Estadual André Maurois, no Leblon, Cintia Barreto, primeiro é necessário se conhecer a realidade sociocultural do aluno, a fim de propor atividades que façam sentido para ele. Depois é preciso usar a sensibilidade para saber a hora certa de aplicá-las.

“Ao entrar em sala de aula, é preciso observar a turma. Fazer uma aula expositiva ou uma mais participativa vai depender de cada dia. Quando eles estão agitados, tento começar com um debate ou aplico recursos diferentes. Mas quando sinto que eles estão mais calmos, dou uma aula mais expositiva. É preciso se adequar ao ritmo da turma”, disse.

A pedagoga e professora da Faculdade de Educação da UFRJ Regina Celi concorda com a estratégia usada por Cintia. “Uma turma é diferente da outra e cada aluno é um ser especial. Temos que aprender a olhar para as diferenças, já que a conduta varia de acordo com o contexto cultural com o qual o professor se depara. Compreender esta realidade e saber usar adequadamente estas ferramentas, pensando na questão da socialização, é fundamental”, afirmou Regina, lembrando que é preciso estar preparado para situações inesperadas.

“O professor vai lidar com situações complexas e tem que ter um olhar reflexivo sobre a prática para saber como intervir em diferentes momentos. Ele não pode mais ser meramente um repassador de informações”, destaca.

O tipo de aula depende do conteúdo, explica o professor Carlos Alberto

Linearidade ou debate?

E como saber se um tema deve ser ensinado de forma linear ou a partir de um debate? Segundo Carlos Alberto Marques de Souza, professor de matemática do Colégio Estadual Professor Horácio Macedo, de Campo Grande, essa questão depende muito do conteúdo que vai ser ensinado. “Nem todo conteúdo deve ter uma exposição linear. Agora na escola, por exemplo, estou ensinando funções exponenciais e é muito melhor se usarmos o laboratório de informática. No quadro, ficaria muito difícil para ele entender o assunto. Parto daí e principalmente do que o aluno traz de conhecimento para a aula, da visão que o aluno tem da matéria. Acredito que quando aquele conteúdo tem um significado para ele, o estudante não fica desmotivado”, explica.

Já a professora Cintia Barreto não trabalha de forma linear. “Eu acredito no caos criativo, linearidade não combina. Os alunos têm uma experiência de leitura virtual, na internet, muito diferente da que temos em sala. Eles estão acostumados com essa forma de se relacionar e esse dinamismo tem que ser levado para dentro da escola”.

Em algumas disciplinas com alta periodicidade, com mais de dois encontros semanais, Cintia recomenda incluir recursos diferentes, como música, filmes e data show sempre que possível. “Podemos usar esses recursos uma vez por semana ou de 15 em 15 dias, vai depender do assunto que está sendo tratado”. Já Carlos Alberto, costuma alternar idas ao laboratório de informática com trabalhos em grupo: “É importante, para que eles se interessem pela matéria”.

Atividades em grupo ou individuais?

E quanto aos trabalhos? Eles devem ser realizados em grupo, em duplas ou individualmente? “Tenho duas turmas na escola, uma é super entrosada, todos se dão bem, e com ela é muito mais fácil fazer trabalhos em conjunto. Mas em compensação, na outra turma eles formaram pequenos grupos, que não se comunicam bem. Nesse caso, o trabalho em grupo é muito importante, pois eles precisam se entrosar, interagir. Fiz uma atividade com eles, na qual cada um escrevia uma poesia e lia na frente da turma. E aqueles alunos mais tímidos mostraram para todos o seu potencial e foram aplaudidos de pé pelos colegas”, contou Cintia Barreto.

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Cintia Barreto - Doutora em Literatura Brasileira Cintia Barreto